sábado, 20 de outubro de 2007

Muuuuchas cosas

Bueno, muchachos, nao preciso nem dizer que fiquei muito tempo sem escrever. Por isso, vou tentar fazer um resumao dos principais fatos, em tópicos, e com um apendice no final.
Antes de mais nada, vcs sao um bando de noveleiros. O post anterior foi o mais comentado da história! hahaha E nao vou comentar um por um como de costume pq isso consumiria todo o espaco.
Só uma coisa: sim, cowboy, evidentíssimo. E sobre a eleicao nacional, infelizmente nao tirei a tempo a foto de um cartaz (que já tiraram da rua) de um candidato a deputado, pelo partido do Menem (o Collor da argentina, que inclusive tb é senador agora). Era assim: tinha o tal com cara de mau e segurando uma 12. O testo dizia "Aguero es el Messias. Por la libre portación de armas y formación de grupos de defensa". Como diria José Simao, dá licenca, que vou pingar meu colírio alucinógeno.

Empezemos, entonces:

Classificados: Vendo chuva. Larga experiencia em ambientes áridos - Serras de Córdoba, Talampaya. Também trazemos temporais para cidades. Tratar com Bruno
Sim, senhores. Depois de ter escrito o post, cheguei sexta de manha a Buenos Aires (Bs As) e tinha caído um dilúvio, inundado tudo, estragado o transito. Senti aquele gostinho de estar em casa: o onibus demorou mais de duas horas dentro da cidade pra chegar até o terminal, saí, tava aquela garoa, os camelos vendendo guarda chuva chines, outros vendendo doces. Andei até a estacao de trem, que tem o estilo da estacao da luz (vejam as fotos) e fui a casa do Pablo. Ele vive com o irmao gemeo, Martin, e o pai. Cheguei, tava chovendo, entao esperamos até a tarde pra irmos ao centro. Que incrivelmente se parece muito com o de Sao Paulo tb! Um monte de gente, ruas de pedestres, estreitas, com edificios cinzas relativamente baixos e porta pra rua, um McDonalds por esuina. A diferenca é Puerto Madero, que é um lugar for gringos com restaurantes superchiques que foi construído pra ser um porto que nunca funcionou. Além dos restaurantes, tres dos prédios do porto sao da PUC de lá. Depois de Puerto Madero, andamos até a Plaza de Mayo (onde está a casa rosada e a catedral da cidade). Na catedral está o corpo de San Martin, libertador de Argentina, Chile e Peru. Terminamos no obelisco e aí comecou a chover de novo, entao voltamos para a estacao de trem. No caminho, me entregaram pabfleto de uma casa com "girls e tango show" - mais uma coisa tipica do centro de Sao Paulo, com a diferenca que por aí é samba. A noite, fui a casa do Fede junto com o Sebastian e o Pablo e a idéia éramos sair depois, mas o Pablo tinha classe sábado de manha e eu tava morto da viagem, entao voltamos e dormimos.
No outro dia, acordei tarde pra caramba e fui com o Martin a Tigre, que é o único lugar bonito por belezas naturais de Bs As, onde eles vao a clube. Passei a tarde jogando bola com os amigos dele e terminei vendo o jogo de rugbi de Nova Zelandia e Franca. As dores nas pernas por 4 dias me fariam me arrepender depois. E no comeco ficava quieto, pra nao perceberem que sou brasileiro e nao comecarem a me destrocar. Mas depois que vi que tava sussa, já comecei a falar, embora me falte muito do futboles argentino. A noite foi o mais engracado, fui com o Pablo pra casa de uns amigos, onde ficamos esperando outro cara, que no fim nem veio e saímos tarde pra caralho (as 2h30) pra uma festa estilo filme americano, numa casa numa zona chique, onde uma mina tava fazendo aniversário e divulgou pra Deus e o mundo. Nao conseguimos entrar, tinha muito mais gente fora que dentro (incluindo muuuuita mina estonteante). Tentamos ir a outra, onde aconteceu o mesmo e além do mais na porta tinha um monte de cara grande achando que era jogo de rugbi e empurrando td mundo. No fim das contas, voltamos pra casa as 4h30. Tá, nao foi engracado, foi deprimente.
No último dia em Bs As, ia voltar a Tigre (que é onde está o delta do rio da plata) junto com a Valeria pra parte mais turistica e menos futeboleira. A Vale chegou só as 5 da tarde, e terminamso indo a Palermo, onde tem um parque com laguinho, jardim japones, planetário... Fala sério, eu pensava que pelo menos o Ibirapuera era original, já que foi o Niemayer (é assim que escreve???) que fiz.
Resumo da ópera: nao sei se era saudade de cidade grande, mas Bs As parece muito com SP. E revi quase tds os argentinos que conheci no 7 springs (vejam o outro blog pra referencias sobre os nomes).

Festa na bio: 12 de outubro é o descobrimento da América, feriado aquí. O CA da faculdade organizou no pátio do prédio da faculdade uma festa com tema meio anticolonizacao e imperialismo. Fui com a galera da bio pra lá. Cara, muuuuuuito parecida com as festinhas do nosso CA. Aquela coisa meio no escuro num patio com umas árvores, um rockizinho e música popular argentina, etc. Muito boa.

"Feijoada": No dia seguinte, acordei "hecho bosta" (vou a comecar a escrever esse tipo de gíria aqui, é incrivel como algumas se entende fácil o significado, haha) depois de dormir as 8h e passei todo o dia em casa. Como td mundo foi viajar e eu tava sozinho, chamei uma galerinha aqui no domingo, pra comer comida brasileira. Tinha conseguido comprar farinha de mandioca e mandioca tb na sexta, entao fiz o mais próximo de feijoada que consegui com os ingredientes disponíveis (no caso, só carne e bacon), farofa, arroz e salada. Td mundo adorou e eu tb. Comi que nem um condenado. Sobrou comida pra caramba que comi por mais uns 2 dias. Depois, ficou uma galerinha, estendemos uns colchoes no chao e vimos um filme (alemao - Os Educadores, muito bom). Maisa tarde, saímos pra casa de ouro cara.

Projeto social: pulando uma semana, vou falar sobre o que fiz hoje. A Fernanda recebeu meu e-mail convidando pra feijoada, mas nao podia ir. Entao ela me chamou pra ir comer na casa dela hoje. Depois, chegou um pessoal (a maior parte foram comigo pra Tilcara), pq nos sábados a tarde eles vao prum bairro na periferia de Córdoba dar umas aulas de educacao ambiental. É um negócio bem dinamico, pq como bons moleques de perifa de 5-10 anos sao uns capetinhas, entao tem que dar um jeito de chamar a atencao deles. Fui com eles pra lá e foi muito legal. Me lembrou meus tempos de CV ou PREA. Chegamos, e enquanto um pessoal foi cacar as criancas pelo bairro, fiquei eu, o Lucas, a Ana e o Martin com tres meninos que já estavam no lugar onde dao a aula (uma garagem na casa de um cara que é meio que líder comunitári odo bairro). O Martin contou pros meninos que eu era brasileiro, e um (o Pedro) fez inclusive cara de "E daí?". Como já esperado, depois de um tempo falaram um pouco de futebol e depois comecaram a me zoar por causa do sotaque e porque nao entendia algumas gírias que eles falavam (imagina um argentino em Guaianazes, ia ser a mesma coisa). É meio difícil prender a atencao deles nas atividades e no fim das contas, terminei com uns moleques pendurados em mim, querendo saber tudo sobre o Brasil, me perguntado se eu trouxe alguma coisa de lá, como se fala cada palavrao, etc. Legal, apesar do sotaque me fazer com certeza parecer meio bobo, deu pra impor algum respeito e ganhar confianca dos moleques.

Violao: depois de 2 meses em casa de músico, resolvi pedir pro Hernan me dar classes de violao. "De muy buena onda", ele aceitou. Comecamos ontem, e a meta dele é que em dois meses eu esteja tocando chacarera, um ritmo de música popular argentina. A grande dificuldade desse tipo de música é que o tempo nao é em 4, como rock, samba, ou qq coisa no Brasil. É 6x8, o que dá uma batida meio como o flamenco, música peruna ou mexicana. Vamos ver no que dá! O professor pelo menos é muito bom. Ele já praticamente terminou a faculdade de música, toca violao e piano, entende bastante de teoria, composicao e ritmos latino-americanos. Inclusive muito de Brasil, porque já passou um mes no Rio.

Basicamente, é isso que escrevo por hoje. Infelizmente ou nao, vou dar um tempo com a novela. Em parte porque, apesar das coisas estarem indo relativamente bem, a história de complexificou um pouco com coisas e pessoas que podem vir a ser só detalhes ou nao daqui a uma semana. Quando tenha um quadro mais claro, volto a falar. Por enquanto, me restringindo ao eixo Débora e Gaby, nao vi mais a primeiro, pero si muchas veces la última.

Como último apendice, gostaria de lhes informar que agora sou oficialmente residente por 2 anos na República Argentina. Com isso, ganho o super direito de pegar a fila dos argentinos na chegada do aeroporto (que obviamente é a menor). E de ficar mais de 90 dias direto, mas esse acho que nao vou usar de novo.