Título estranho esse nao? Comecemos pelos sapos. O primeiro que eu vi aqui em Córdoba é aquele do qual eu falei no post anterior. O segundo foi na segunda-feira. Tava indo com a Fer ver um documentário sobre o Bob Marley no cine municipal e fomos a pracinha aqui perto de casa onde pára o onibus pro centro. A praca é meio escura, mas vi uma escuridao que se mexia na escuridao estática no gramado. Olha só, um sapinho! Era preto com umas manchas brancas. Fui tentar pegar ele aí a Fer me disse: "Bruno, nao é todo bicho q vc ve que precisa pegar, e estamos atrasados" Eu respondi algo do tipo "po, é um sapo numa praca no meio da cidade e longe do rio". E ela "e...?" "Como e...?" "Nao vai me dizer no Brasil nao tem sapo" "É claro que tem, mas nao assim". No fim das contas, fomos pro ponto de onibus e vi um montao pulando pela praca de longe. Informacao importante: chouveu bastante esse dia. Vivendo e aprendendo, sapos na praca é normal em Córdoba. Agora de onde vem, eu nao sei, pq o único laguinho dessa praca fica seco a maior parte do ano e o rio tá longe.
Outro dia, qdo tava sozinho esperando o onibus (ia me encontrar com o Hernan para o concerto descrito abaixo), nao tinha mais tantos sapos. Mas encontrei um, e nao era toa bonito que nem o do outro dia. Era um Bufo qq. Mas fui atrás dele msm assim. O bicho saiu pulando até uma árvore grande e escuro bem no meio da praca. Eu me agachei pra tentar pegar e aí vejo de canto de olho uma picape da CAP (Comando Anti-Pobre, como descrevi em outro post) diminuindo de velocidade e passando pela praca. Usei essa habilidade que nós seres humanos temos para nos olharmos como uma terceira pessoa e me dei conta da situacao suspeita em que estava. Como quem nao quer nada, sem olhar pra eles, saí de fininho e voltei pro ponto. Os caras deram uma volta completa na praca, devagarinho, e olhando pra mim. E foram embora. Que estranho, nao? Se fosse o equivalente paulista (ROTA) certeza que baixavam do carro no mínimo com uma arma apontada.
Agora vamos ao contemporeanismo. O que passou é que de terca a quinta teve aqui em Córdoba, de graca, no Teatro do Libertador (vejam as fotos), o festival internacional de música contemporanea. Na terca me encontrei com o Hernan e o Seba no teatro pra ver um violinista venezuelado que vive na Bélgica tocar umas obras de compositores internacionais reconhecidos e jovens compositores de Córdoba (i. e. colegas de faculdade do Hernán)
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Antes disso, tinha ido com a Rocio e o Gabi ver na faculdade de ciencias exactas no centro (que é onde curso) um documentário chamado Argentina latente. Foi o último de uma série que o CA esteve passando e que vi quase todos sobre relacao entre o homem e a natureza (teve um sobre transgenicos, um muito bom sobre mal de chagas, um q nao vi sobre espécies introduzidas e o do Al Gore). Esse filme é de um cineasta que concorreu a presidente esse ano. Basicamente, fala das glórias do passado da Argentina, numa linguagem meio inconformada de como se deixou um país tao desenvolvido ficar tao fulero. Tao fulero que em matéria de ciencia e tecnologia o Brasil foi citado como modelo várias vezes. Mas é realmente assustador. Tipo, até os anos 50, a Argentina (e o Chile tb) era um país bastante industrializados, com industrias nacionais, com faculdade pública e gratuita pra quase td mundo, premio Nobel, primeira usina nuclear do continente americano, mísseis intercontinentais e que já tinham levado e trazido do espaco um, cachorro e um macaco (em comparacao, a gente ainda tá tentando mandar um foguete vazio q nao exploda). Hoje nao tem nem programa espacial, professor universitário ganha uma miséria (miséria msm, no Brasil a gente tá muito bem em comparacao), nao existe mais quase indústria nacional (com algumas excecopes - A Arcor é daqui de Córdoba, por exemplo), a fábrica de avioes de Córdoba, e mais de um terco da populacao está abaixo da linha da pobreza. Depois de ver o filme, fui ao teatro do Libertador
fecha parenteses)
O cara tocava violino animalmente, e as músicas eram cheias de sons nao usuais, raspando as cordas, etc. E msm assim saia afinado. As músicas dos caras mais novos eram mais exageradas na falta de melodia e sons estranhos, entao cansavam um pouco. Mas as outras tava muito loucas. Eu imagino um Stradivarius do século XVII vendo o futuro e o pra que ia ser usado um violino. Ia ter um troco. Capaz que até parasse de favricá-los, haha.
Na quarta feira, teve só um workshop pra músicos e na quinta teve um concerto com orquestra. A primeira obra era uma composicao para piano. Parte dos sons já estava gravado e outra parte o pianista fazia na hora, meio combinado, meio de improvisacao. Com direito a uso de garrafas e garfos para raspar as cordas do piano e tirar uns sons bizarros. Seguiu o 3º movimento de uma que ainda estava sendo escrita por um alemao que estava em Córdoba (e segundo regente da orquestra, tinha acabado de escrever o quarto movimento naquela manha). A idéia desse terceiro movimento era fazer uma orquestra de solistas que contenha solistas. Tipo assim, tinha 3 violinos e depois um de cada instrumento. nao tinha nenhum instrumento protagonista enquanto os outros tocavam juntinhos harmonicamente, cada instrumento é um solo. E dentro disso, um dos violinos e uma cantora tinham um certo protagonismo, entao eram o solo dentro dos solistas. Tava muito boa.
Depois de um intervalo, seguiu uma obra do venezuelano do outro dia, que era baseado em quatro poesias (uma de Fernando Pessoa, outra de Manuel Bandeira e os outro nao lembro) que todas tinham a temática de uniao dos corpos e impossibilidade de uniao das almas. Já era a décima versao da obra, cuja idéia inicial era que todos os poemas estivessem superpostos dentro da música. Mas como ia dar muita confusao, o compositor optou por colocar partes de cada um. Tava boa tb, mas nao como as outras.
E é mais ou menos isso. Hoje vou ver um show de Pedro Aznar de graca numa cidade aqui perto e talvez fazer outras coisas. Vamos ver no que dá.
Ah, e aqui vai um videozinho Discovery Channel que gravei:
