sábado, 24 de novembro de 2007

Sapos contemporaneos

Um post sem comentários. Tb, passo 20 dias sem escrever e escrevo 2 em 4 dias. Os poucos que tem paciencia pra isso nao devem nem ter visto o outro ainda! Coloquei no ar as fotos. As das caras felizes contem uma atitude subversiva em protesto. Mas a pilha da atitude subversiva foi acabando e ao final já nao existia. Junto com ela acabou a da camera, entao o resto das caras felizes fica pra outra. Tem um pouco de Córdoba tb, e da coleta. Além de um fato que esqueci de comentar no post anterior: aniversário da Fer, aqui em casa. Foi na quarta da semana passada. Fizemos uma reuniaozinha no dia e no sábado uma festa maior, mas nao tirei fotos dessa.

Título estranho esse nao? Comecemos pelos sapos. O primeiro que eu vi aqui em Córdoba é aquele do qual eu falei no post anterior. O segundo foi na segunda-feira. Tava indo com a Fer ver um documentário sobre o Bob Marley no cine municipal e fomos a pracinha aqui perto de casa onde pára o onibus pro centro. A praca é meio escura, mas vi uma escuridao que se mexia na escuridao estática no gramado. Olha só, um sapinho! Era preto com umas manchas brancas. Fui tentar pegar ele aí a Fer me disse: "Bruno, nao é todo bicho q vc ve que precisa pegar, e estamos atrasados" Eu respondi algo do tipo "po, é um sapo numa praca no meio da cidade e longe do rio". E ela "e...?" "Como e...?" "Nao vai me dizer no Brasil nao tem sapo" "É claro que tem, mas nao assim". No fim das contas, fomos pro ponto de onibus e vi um montao pulando pela praca de longe. Informacao importante: chouveu bastante esse dia. Vivendo e aprendendo, sapos na praca é normal em Córdoba. Agora de onde vem, eu nao sei, pq o único laguinho dessa praca fica seco a maior parte do ano e o rio tá longe.
Outro dia, qdo tava sozinho esperando o onibus (ia me encontrar com o Hernan para o concerto descrito abaixo), nao tinha mais tantos sapos. Mas encontrei um, e nao era toa bonito que nem o do outro dia. Era um Bufo qq. Mas fui atrás dele msm assim. O bicho saiu pulando até uma árvore grande e escuro bem no meio da praca. Eu me agachei pra tentar pegar e aí vejo de canto de olho uma picape da CAP (Comando Anti-Pobre, como descrevi em outro post) diminuindo de velocidade e passando pela praca. Usei essa habilidade que nós seres humanos temos para nos olharmos como uma terceira pessoa e me dei conta da situacao suspeita em que estava. Como quem nao quer nada, sem olhar pra eles, saí de fininho e voltei pro ponto. Os caras deram uma volta completa na praca, devagarinho, e olhando pra mim. E foram embora. Que estranho, nao? Se fosse o equivalente paulista (ROTA) certeza que baixavam do carro no mínimo com uma arma apontada.

Agora vamos ao contemporeanismo. O que passou é que de terca a quinta teve aqui em Córdoba, de graca, no Teatro do Libertador (vejam as fotos), o festival internacional de música contemporanea. Na terca me encontrei com o Hernan e o Seba no teatro pra ver um violinista venezuelado que vive na Bélgica tocar umas obras de compositores internacionais reconhecidos e jovens compositores de Córdoba (i. e. colegas de faculdade do Hernán)

(abre parenteses

Antes disso, tinha ido com a Rocio e o Gabi ver na faculdade de ciencias exactas no centro (que é onde curso) um documentário chamado Argentina latente. Foi o último de uma série que o CA esteve passando e que vi quase todos sobre relacao entre o homem e a natureza (teve um sobre transgenicos, um muito bom sobre mal de chagas, um q nao vi sobre espécies introduzidas e o do Al Gore). Esse filme é de um cineasta que concorreu a presidente esse ano. Basicamente, fala das glórias do passado da Argentina, numa linguagem meio inconformada de como se deixou um país tao desenvolvido ficar tao fulero. Tao fulero que em matéria de ciencia e tecnologia o Brasil foi citado como modelo várias vezes. Mas é realmente assustador. Tipo, até os anos 50, a Argentina (e o Chile tb) era um país bastante industrializados, com industrias nacionais, com faculdade pública e gratuita pra quase td mundo, premio Nobel, primeira usina nuclear do continente americano, mísseis intercontinentais e que já tinham levado e trazido do espaco um, cachorro e um macaco (em comparacao, a gente ainda tá tentando mandar um foguete vazio q nao exploda). Hoje nao tem nem programa espacial, professor universitário ganha uma miséria (miséria msm, no Brasil a gente tá muito bem em comparacao), nao existe mais quase indústria nacional (com algumas excecopes - A Arcor é daqui de Córdoba, por exemplo), a fábrica de avioes de Córdoba, e mais de um terco da populacao está abaixo da linha da pobreza. Depois de ver o filme, fui ao teatro do Libertador
fecha parenteses)
O cara tocava violino animalmente, e as músicas eram cheias de sons nao usuais, raspando as cordas, etc. E msm assim saia afinado. As músicas dos caras mais novos eram mais exageradas na falta de melodia e sons estranhos, entao cansavam um pouco. Mas as outras tava muito loucas. Eu imagino um Stradivarius do século XVII vendo o futuro e o pra que ia ser usado um violino. Ia ter um troco. Capaz que até parasse de favricá-los, haha.
Na quarta feira, teve só um workshop pra músicos e na quinta teve um concerto com orquestra. A primeira obra era uma composicao para piano. Parte dos sons já estava gravado e outra parte o pianista fazia na hora, meio combinado, meio de improvisacao. Com direito a uso de garrafas e garfos para raspar as cordas do piano e tirar uns sons bizarros. Seguiu o 3º movimento de uma que ainda estava sendo escrita por um alemao que estava em Córdoba (e segundo regente da orquestra, tinha acabado de escrever o quarto movimento naquela manha). A idéia desse terceiro movimento era fazer uma orquestra de solistas que contenha solistas. Tipo assim, tinha 3 violinos e depois um de cada instrumento. nao tinha nenhum instrumento protagonista enquanto os outros tocavam juntinhos harmonicamente, cada instrumento é um solo. E dentro disso, um dos violinos e uma cantora tinham um certo protagonismo, entao eram o solo dentro dos solistas. Tava muito boa.
Depois de um intervalo, seguiu uma obra do venezuelano do outro dia, que era baseado em quatro poesias (uma de Fernando Pessoa, outra de Manuel Bandeira e os outro nao lembro) que todas tinham a temática de uniao dos corpos e impossibilidade de uniao das almas. Já era a décima versao da obra, cuja idéia inicial era que todos os poemas estivessem superpostos dentro da música. Mas como ia dar muita confusao, o compositor optou por colocar partes de cada um. Tava boa tb, mas nao como as outras.
E é mais ou menos isso. Hoje vou ver um show de Pedro Aznar de graca numa cidade aqui perto e talvez fazer outras coisas. Vamos ver no que dá.
Ah, e aqui vai um videozinho Discovery Channel que gravei:

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Que sé yo

Entao, como podem ver, sei lá (que é o q significa o q está escrito aí em cima) o que por como título. Só sei que to cagando (com perdao a referencia ao último post) e andando se me acham autista ou nao (apesar de que essa seja uma atitude bem autista). E cowboy, agora eu posso falar pro Pastel q fiz algo q nem ele msm fez sobre os "vermelhinhos", na linguagem dele! Obrigado pela informacao, senhor Maggi, mas agora tem é q treinar na rua, mano. Pq homi que é homi nao fica com essa lutinha de bicha, com regrinha e roupa branca.

Sinceramente, acabei de esquecer td que eu ia escrever. Sei lá, o que andou acontecendo? Acabaram as aulas de biogeografia e chamei a galera pra ir tomar uma cerveja (fala sério, aula que tremina quinta as 19h e até hj nunca tínhamos feito isso, pelo menos na última!). Terminei com 9 e qq coisa de média, agora tenho q fazer o colóquio final pra aprovar a matéria. Estatística foi a última prova semana passada, tirei 9,5 (na primeira, que tinha mais a ver com o q já tínhamos visto em estatística, tirei um 7, acho q a vontade de aprender alguma coisa faz estudar mais). Tb falta o colóquio final. E quinta-feira é a última aula de selecao sexual em artrópodos, onde a gente apresenta um trabalho e acaba.

Mas o tempo do sossego nao está chegando taaanto assim. Vou acabar trocando aula pelo estágio. Aliás, nao sei se escrevi no outro post, mas tínhamos cancelado a coleta dos bichos pela chuva. Bom, na sexta passada fomos eu, o Peretti (professor chefe do lab) e a Virgínia (aluna de graduacao q vai trabalhar com os bichos) coletar Alocosa brasiliensis, uma aranha que vive em praias de rio desde o RS até o centrao da Argentina. Aqui ao oeste de Córdoba, existem dois cordoes de serras, as sierras chicas e as sierras grandes. Acho q deu pra perceber q o segundo é mais alto, né? A idéia era ir numa cidade depois das sierras grandes, onde tem um rio com praias bem grandes de areia. Mas no meio do caminho, deu pau no carburador do carro e aí nao tínhamos potencia com gasolina. E o gás nao era suficiente pra chegar e voltar (do outro lado das serras nao tem posto com gás perto). Acabamos parando em Copina, uma cidade antes do ponto mais alto das serras grandes, mas já alto suficiente pra nevar todos os anos lá e ter uma paisagem bem diferente (vejam as fotos deposi e comparem com Cuestas Blancas). Ali, tinha um riozinho bem pequeno com meia dúzia de praias de areia de nao mais de 10m2. Como vimos uns buracos na areia q podiam ser toca das aranhas, esperamos até a noite. Se nao achássemos nada, iríamos a Cuestas Blancas ou outro lugar mais baixo (e com mais gente, o que é o problema).
A expectativa era coletar umas 30 aranhas. Nem bem caiu a noite (umas 20h30 aqui, sem horário de verao), os bichos comecaram a sair da toca e em um pouco mais de uma hora coletamos tanto que nao tínhamos mais potes. Até nos demos ao luxo de deixar uns bolsoes de areia sem tocar pra nao acabar com a populacao, haha. No fim das contas, hj eu encontrei a Virginia e ela me disse que coletamos 68 aranhas, 8 machos, umas 15 femeas e um montao de juvenis. Masi que o suficiente pro trabalho dela. Essa sexta, vai ser minha vez com as libélulas, vamos ver no que dá!


Ah, outra coisa q ia esquecendo é que voltei a Embalse, desta vez com o Fábio e o Hernán. O lugar tá muito mais bonito e verde, mas nao tenho nenhuma foto pq acabaram as pilhas da camera. Compramos uma bola de fut e acabamos jogando no sábado com uns pivetes de 12 anos +- (e ganhamos, olha só, hahaha). No domingo, fomos andar de caiaque no lago, até um hotel abandonado que tem a uns 4 quilometro de onde estávamos. Mto loco! Dava pra fazer fácil um filme de terror. Chegando por água, quase nao se ve o hotel até chegar bem perto, pq está escondido no meio das árvores. As paredes já perderam o reboque e estoa cheias de Hera em algumas partes. Por dentro, tá td +- inteiro, fora todo o lixo, restos de garrafas e outros vestígios de visitantes. Teto tb nao tem. Era um hotel bastante grande, e chegou a estar quase pronto. Ia ser o 8o hotel estatal de Embalse (sim, Hotel estatal, acho que nem na URSS tinha isso!). Fizeram parte de um projeto do Perón nos anos 30 e 40. Construiu em Embalse e em Mar del Plata esses conjuntos de hotéis (todos enormes) para receber sindicatos, escolas, aposentados, etc. Até hj é assim, embora sejam administrados por grupos privados (sob regime de concessao, e nao tem o direito de fazer reservas individuais). Esse último hotel nao ficou pronto por conta do golpe (um dos) militar contra Perón nos anos 40. Aliás, a história política argentina até os anos 40 pode se resumir em Perón - ditadura militar - Perón - ditadura militar - aliado de Perón - Perón - ditadura militar - (aí o Perón já tinha morrido, mas entrou um peronista).

Terminamos voltando segunda de manha e eu perdi a aula de regioes biogeográficas da América do Sul, mas o sono era mais forte (tinha que acordar as 6h se quisesse chegar a tempo em Córdoba)

É isso

Hasta luego.

Agora fiquei com preguica de baixar as fotos. Faco outro dia.